do espelho
"Ela é do centro, mas não se incomoda com as cores do suburbio.
Sabe estar em todos os lugares, e em nenhum.
Ela é de tempo. Ela é de tempo, vive organizada.
Sulamericana-inglesa. Transpira formosura, brilho e precisão.
Ele é baiana. Ela é baiana pós republicana, acontece numa dança.
Quando se revela traz um mar de rosas, brancas rosas no sorrir.
Uma forma de dizer, ao mesmo tempo sim e não. E deixar seu coração-quasar pulsando lá no céu
e deixar meu coração pulsar maravilhado aqui, no chão.
Apaixonada, fica encabulada, faz de conta que nem pensa.
Com delicadeza faz aquele tipo desligado.
Ela percebe. Ela percebe muitos movimentos, mas prefere ser discreta.
Quando se permite, faz um vendaval varrer de Humaitá a Itapuã. E é por isso mesmo que ela quer se comportar assim, contida.
E deixar seu coração-quasar pulsando lá no céu, e deixar meu coração pulsar bem comportado aqui, no chão.
E deixar meu coração-quasar na ilha da interrogação, perguntando como poderá pulsar ao lado do seu coração"
(Ela - Arnaldo Almeida)