Noite e Dia
Sonhei com a noite.
trecos e tralhas...bagunça!
Sonhei com a noite.
Eu queria me olhar nos olhos, simples e duro
Sem que me tivesse que olhar em espelhos.
Como se olhasse normalmente nos olhos de outra pessoa.
Por que eu só a única outra pessoa que não pode me olhar nos olhos
Como se olhasse uma pedra ou metal.
Mais que pode olhar uma pedra ou um metal
E se isso não lhe parecesse bastante anormal,
A minha única outra pessoa poderia me olhar nos olhos se olhasse uma pedra ou um metal.
Eu queria me dizer coisas simples e duro,
Sem que me tivesse que falar em voz alta.
Como se falasse normalmente para outra pessoa
Por que eu só a única outra pessoa que nada pode escutar de mim
Como se escutasse a mim ou a Deus,
Mas que pode escuta a mim ou a Deus.
E se isso não lhe soasse bastante transcendental,
A minha única outra pessoa
Poderia me escutar se escutasse em mim a mim ou a deus.
E assim sucessiva, me ouvindo e olhando.
A minha única outra pessoa
Seria minha única única pessoa
Paulo César Pinheiro
mudou
Ver alguém que se ama, definhar.
Queria poder abraçar...
dizer:
Conte comigo!
Ouço um vazio de lá.
Quem fez isso?
eu (não) sei
Não era assim
conversar, me ouça
ultima vez
(I. Amazonas)
Li receio
Timidez
Fuga.
Escrevi incerteza
Ansiedade
Medo.
Eis o beijo que abre o primeiro capítulo.
e encerra o livro.
beijo quente no carro
beijo descansado na rede
beijo compreensivo no colo
beijo vingativo na parede
beijo demorado no cobertor
beijo tímido na rua
beijo apressado no corredor
beijo de língua na chuva
beijo ameno na siesta
beijo sincero no altar
beijo caliente na festa
beijo livre no mar
i. amazonas
não sei se sinto
ou se sinto muito
não sei se é raiva,
ódio
ou desprezo.
não sei se é nada,
medo
ou desespero.
não sei se és
não sei se foi
não sei seu erro...
só não queria
que você se prendesse
a minha teia confusa
em meus braços desorientados
e em meus lábios medrosos.
não sei nada
nada.
sei que pode ser bom
ou ruim.
sei que sou pessimista.
mas no fundo,
acho que pode dar certo...
e nessa valsa
eu danço
embriagada
aos tropeços
confundindo tudo
desconhecendo
o mundo
sem jeito.
queria que, por um segundo
você esquecesse do mundo
das pessoas e,
principalmente, das regras.
queria ouvir o que realmente quer me dizer.
o que você guarda ai dentro.
o que me diz respeito.
me diz?
Queria poder calar sua inquietude.
Entrelaçar-me em suas pernas.
Segurar sua mão.
Me acomodar em seu peito, tocar no seu rosto.
E até, quem sabe, sentir teu gosto.
Estupor
esse súbito não ter
esse estúpido querer
que me leva a duvidar
quando eu devia crer
esse sentir-se cair
quando não existe lugar
aonde se possa ir
esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
que não me deixa mentir
Paulo Leminsk
Aceito metade
Se aceitares também,
Só a metade.
Pois ser inteira
Mais sua metade,
Sobra.
Mas sendo metade,
Com sua metade,
Completa.
.
"A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
(...)
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se..."
(Vinicius de Morais)
.
viver
é um exercício
constante
de doação
mesmo
aquelas pessoas
que nos parecem
não doar nada
al
go
dão
múcio góes
Contrário
Tem um jeito de quem ta se exibindo
Mostrando as suas pernas pra me enfeitiçar.
É um tipo que não me dá certezas
Se é pra eu deixar vir ou se quer ver eu chegar.
Dança com outros tipos ao mesmo tempo que me olha
E eu sem saber se continuo ou se é para eu parar
(Cacá Lessa)
*-*
Se não fossem os olhos do senso comum,
Não seria difícil decifrar
O que os meus olhos cantam,
O que minhas pernas bambeiam.
.
Que seus olhos,
verdes/
azuis
Mirem os meus,
apaixonados/
loucos
.
.
E tem uma coisa que aprendi
Foi a não desistir
Mas sem insistir.
É que paixão vale a pena
Mesmo quando não é correspondida...
.
"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?”
(Razão de Ser - Paulo Leminsk)
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